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Dia 11 de setembro será realizado o terceiro Sarau : Sentimento do mundo, que ocorrerá das 9:00 h às 21:00 h . É iniciativa de alguns alguns estudantes que tem como objetivo trazer mais vivência acadêmica, expor seus talentos atráves de quadros, recitações, varal de poesias, cinema, teatro , entre outras coisas ...
11 de setembro com certeza será marcante.
Por: Paula Cunha
Sentimento do Mundo


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite

Carlos Drummond de Andrade
FRAGMENTOS DE SENTIMENTO DO MUNDO II

Tardio, mas não arquivado:

O Sarau passou e a saudade ficou, aliás, a saudade sempre ficará presa no semblante e no aconchego de uma lembrança doce e calorosa. Uma lembrança marcada por um dia repleto de fragmentos únicos... fragmentos de Sentimento do Mundo.

O Sarau passou e atravessou o dia, a noite, e adormeceu sorrindo, feito uma criança sem preocupações e pronto para acordar novamente, espichar o braço pra cima e correr e brincar... Foram mais de 12 horas de poesia, começando às 9 horas da manhã e se estendendo madrugada afora. A poesia teceu vida própria e alimentou as engrenagens do Sarau que, definitivamente acordou o Instituto de Linguagens da UFMT do dia 5 de dezembro de 2008 com uma cara diferente. O cenário era uma espécie de circo, mais simples e mais aberto que o Sarau anterior, contudo nada daquelas paredes brancas e pilares cinza, mas vários tecidos coloridos, pinturas e rabiscos no chão, uma bancada de vidro repleta de poemas visuais, almofadas coloridas no chão e no tapete, e um varal de poesias repleto de roupas velhas.

Como se pode ver, a proposta foi diferente do primeiro Sarau e a programação seguiu o mesmo curso. O evento foi dividido em duas partes: o dia seria aberto pra declamações, oficinas e apresentações teatrais, enquanto que a noite ficaria com as bandas e... mais declamações.

Apesar das dificuldades, as coisas aconteceram como deveriam. E agradecemos todos que ajudaram, todos que confluíram para que este Sarau saísse. Agradecemos os apoiadores: OCT, Instituto Mandala, Cena Morta, Violetta Artesanato, o Centro Cultural, o CALET e a diretoria do Instituto de Linguagens; dando a maior força.

Vale agradecer também as pessoas que ajudaram a construir, que de algum modo colocaram as mãos e teceram as linhas do evento dando a cara e a forma que este tomou. Agradecemos o grupo de teatro Pessoal do Ânima, o Julho Vilá, a Luana pela exposição da Borboletras, o Antonio e o Sodré e as bandas que apresentaram à noite.

O ano veio ao fim com a última etapa, mas como disse anteriormente as lembranças ficaram cravadas e registradas. O próximo promete alguns detalhes que ainda não foram conseguidos abraçar, promete uma estrutura melhor, repleta de novidades. Nada muito fantástico, nem enfeitado demais, mas razoavelmente melhor.

Aos que gostariam de ajudar de alguma forma e interessados, aqui fica o convite, aqui fica a mão estendida.

A POESIA GRAVADA

A POESIA FALADA

 Um sarau não seria um sarau sem a poesia: talvez o coração pulsante do Sentimento do Mundo.

Nas palavras de Quintana, “A poesia não se entrega a quem a define.” Ela é um bicho estranho, virado do avesso e metida a sabichona. Por mais que tentem decifrá-la, ela irá se esconder na sua própria essência. Poesia é arte e está no brejo da alma.  

Assim, não é a toa que tentamos impregnar o ambiente com versos e prosas poéticas do chão ao teto, riscar cada canto e cada buraco com um pouco de arte.

Como era de se esperar, o Sarau: Sentimento do Mundo tenta cultivar uma prática já quase esquecida nos saraus. As declamações perderam a força no transcorrer do tempo e a poesia falada quase não é ouvida e apreciada; talvez, por falta de espaço num mundo tão veloz às sutilezas da vida.

Pensando por essa ótica e tentando quebrar o torpor de uma prática esquecida e deixada de lado, é que existe o Palco Livre, onde qualquer pessoa poderá verbalizar seu sentimento em alto e bom som.

O microfone e o palco estarão abertos a todos. Participe!

Workshop com Tocandira

 O ensino da arte – musica, ajuda o desenvolvimento das possibilidades de ver, interpretar e julgar as qualidades dos objetos artísticos e das manifestações culturais. O individuo abre-se para novas oportunidades de ação, assim como para mudanças internas e externas.

Oportunizar o jovem músico a uma compreensão pratica e teórica sobre os fundamentos da musica – instrumental, particularmente no que se relaciona diretamente ao trabalho do músico. O músico é um artista  que precisa constantemente estar pensando, criando e praticando. 

Vagas: 20

Horário: 13h              Duração: 2 horas

Local: Saguão do Instituto de Linguagens

Produção de Zine

Oficinas de construção de jornais alternativos com finalidade de desenvolver o intelecto e incentivar a leitura e escrita de textos jornalísticos.

A história se confunde com as metodologias de comunicação utilizada na época da ditadura, porém essa atividade tomou outras finalidades nos dias de hoje, como troca de informação principalmente envolvendo a musica como tema.

As oficinas de Zine do Instituto Mandala aposta nessa forma de comunicação e trabalha desde 2007 com oficinas em escolas públicas, centros culturais, universidades e projetos sociais.

 Mais informações:

 www.institutomandala.blogspot.com

www.comunicacaomandala.blogspot.com

Vagas: 15

Horário: 15h              Duração: 2 horas

Local: Cos1 (instituto de Linguagens)

II
Drummond foi um mestre na poesia. Seus poemas mexeram com uma época recém “industrializada”, marcando com vigor os elementos que configuram o homem moderno. Com o título de um de seus livros nomeamos esse Sarau – com o objetivo de abraçar os acontecimentos decorrentes do começo deste século -; e com o esplendor de suas palavras, gravo na memória deste blog o poema:

Memória (Drummond)

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Alguns dizem que o primeiro sempre sai melhor... que as versões posteriores não conseguem agradar e nem instigar como o primeiro; dizem, e até certo ponto não erram nas palavras, que o segundo, o terceiro, o quarto, não carrega a “essência da coisa”. Essa etiqueta se faz em todas as atividades humanas, seja num filme, num livro, em qualquer evento que tenha uma continuidade, sempre dirão a mesma coisa: que o primeiro é melhor. Contudo, pensando nessa possibilidade, mas com muita modéstia e entusiasmo, pode-se dizer que tentaremos fazer o possível para ultrapassar os limites do primeiro e chegar além das expectativas nesta segunda etapa. Basta dar uma olhada rápida nas parcerias: no apoio temos a OCT, o projeto Cena Morta, o Instituto Mandala, a Escola de Circo da UFMT, a Violetta Artesanato, o Centro Cultural e, muitas outras parcerias que transformam e transformarão o Sarau num evento para todos os gostos, pronto para oferecer à Universidade e a comunidade, uma troca artística de diversidades.
Após algumas conversas aqui e ali, já existe uma pré-programação para o dia 5 de dezembro. Assim, algumas bandas foram confirmadas: Tiasques, Linhas de Montagem, Pé Rachado e Os Porra Lokas, Branco ou Tinto, Sinimbu Stricknikk, Paulo e Augusto, Discotecagem com o Cena Morta; preenchendo deste modo o leque de atrações musicais.
Nesta segunda etapa, uma novidade veio para acrescentar e impulsionar os objetivos do evento. As oficinas serão oferecidas no período da tarde e as inscrições podem ser feitas no saguão do Instituto de Linguagens nessa semana. As confirmadas são: Workshop com o Tocandira; Vivência de Malabares com a Escola de Circo e Confecção de Filtro de Sonhos.
Além destas atrações, temos o pessoal da Capoeira Angola, o Pessoal do Ânima, Dança do Ventre com Judite Botega, Amostra de vídeos com o Cena Morta; exposição da revista Contos Extraordinários e da Borboletras; telas do Julho Vilá, e uma bancada com as velas perfumadas da Violetta Artesanato.

Mesmo com toda essa programação, para fechar as opções, um sarau não seria um sarau sem a poesia: talvez o coração pulsante do Sentimento do Mundo. Qualquer um pode verbalizar seu sentimento no palco livre, que estará sempre pronto para espalhar a palavra e cultivar uma prática já quase esquecida nos saraus: as declamações.
Assim, o Sarau pouco a pouco é construído. Os alicerces estão cravados no chão e, logo, a tenda será armada. Faltam apenas alguns dias... Não deixe de participar, construa conosco a Arte!!