Não colocaremos etiquetas para o movimento. Não nos prenderemos com recursos lingüísticos-cientifico para explicar o Sarau Sentimento do Mundo. Seria blasfêmia dizer que é um sarau literário ou até mesmo musical, seria delimitar, cortar a pouca loucura de nossas mentes... preferimos o termo livre, sem correntes, orgânico e vivo na sua essência.
O sarau é uma (re)produção eloqüente de vozes irrequietas. Vozes audazes que sussurraram idéias. Abstratas, concretas, idéias multiformes que tangem sentimentos e buliçosos gritos internos. Gritos entalados, prontos para serem escarrados, liberados da prisão ventriana e estreita de nossas mentes primitivas. Gritos que ultrapassam o sentir, reverberando alguma coisa qualquer no coração dos homens.
O sarau pulsa braços que constroem, tecem e cantarolam manifestações da arte. Aquela arte bruta e carrancuda que emerge do suor, da confluência de vozes dos declamadores e das mãos dos operários.
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SARAU: Sentimento do Mundo
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Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossege e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.
Atualmente o grupo é formado por graduandos de variados cursos da UFMT, coordenados pela Profª Drª Maria de Jesus das Dores Alves Carvalho Patatas, chefe do departamento de Letras.
Dia 11 de setembro será realizado o terceiro Sarau : Sentimento do mundo, que ocorrerá das 9:00 h às 21:00 h . É iniciativa de alguns alguns estudantes que tem como objetivo trazer mais vivência acadêmica, expor seus talentos atráves de quadros, recitações, varal de poesias, cinema, teatro , entre outras coisas ...
11 de setembro com certeza será marcante.
Por: Paula Cunha
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SARAU: Sentimento do Mundo
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Sentimento do Mundo
Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis.
Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho desfiando a recordação do sineiro, da viúva e do microcopista que habitavam a barraca e não foram encontrados ao amanhecer
O Sarau passou e a saudade ficou, aliás, a saudade sempre ficará presa no semblante e no aconchego de uma lembrança doce e calorosa. Uma lembrança marcada por um dia repleto de fragmentos únicos... fragmentos de Sentimento do Mundo.
O Sarau passou e atravessou o dia, a noite, e adormeceu sorrindo, feito uma criança sem preocupações e pronto para acordar novamente, espichar o braço pra cima e correr e brincar... Foram mais de 12 horas de poesia, começando às 9 horas da manhã e se estendendo madrugada afora. A poesia teceu vida própria e alimentou as engrenagens do Sarau que, definitivamente acordou o Instituto de Linguagens da UFMT do dia 5 de dezembro de 2008 com uma cara diferente. O cenário era uma espécie de circo, mais simples e mais aberto que o Sarau anterior, contudo nada daquelas paredes brancas e pilares cinza, mas vários tecidos coloridos, pinturas e rabiscos no chão, uma bancada de vidro repleta de poemas visuais, almofadas coloridas no chão e no tapete, e um varal de poesias repleto de roupas velhas.
Como se pode ver, a proposta foi diferente do primeiro Sarau e a programação seguiu o mesmo curso. O evento foi dividido em duas partes: o dia seria aberto pra declamações, oficinas e apresentações teatrais, enquanto que a noite ficaria com as bandas e... mais declamações.
Apesar das dificuldades, as coisas aconteceram como deveriam. E agradecemos todos que ajudaram, todos que confluíram para que este Sarau saísse. Agradecemos os apoiadores: OCT, Instituto Mandala, Cena Morta, Violetta Artesanato, o Centro Cultural, o CALET e a diretoria do Instituto de Linguagens; dando a maior força.
Vale agradecer também as pessoas que ajudaram a construir, que de algum modo colocaram as mãos e teceram as linhas do evento dando a cara e a forma que este tomou. Agradecemos o grupo de teatro Pessoal do Ânima, o Julho Vilá, a Luana pela exposição da Borboletras, o Antonio e o Sodré e as bandas que apresentaram à noite.
O ano veio ao fim com a última etapa, mas como disse anteriormente as lembranças ficaram cravadas e registradas. O próximo promete alguns detalhes que ainda não foram conseguidos abraçar, promete uma estrutura melhor, repleta de novidades. Nada muito fantástico, nem enfeitado demais, mas razoavelmente melhor.
Aos que gostariam de ajudar de alguma forma e interessados, aqui fica o convite, aqui fica a mão estendida.